terça-feira, 10 de julho de 2007

NÃO SOU O ÚNICO (Parte II)


"O Zé Leonel, o Tim e o Kalú encostaram-me à parede: ou aprendes a tocar guitarra ou vais para a rua. O que isso me bateu... eu fui para casa a chorar. Eu, que tinha feito aquilo tudo! E passado um ano já me estavam a pôr na rua." (pág. 68)

Muito já se disse e escreveu sobre a vida dos Xutos e Pontapés, a banda que noutra vida se chamou “Beijinhos e Parabéns”. Sabe-se que começaram numa sexta-feira 13… o célebre concerto de 13 de Janeiro de 1979. Porém, poucos saberão que no início dos Xutos, Zé Pedro tocava apenas alguns acordes.

“Eu fui crítico de música, e desde os treze, catorze anos que me dediquei a ouvir discos e a seguir a carreira de grupos. E as bandas da altura, como os Génesis eram bandas muito grandes e eu achava incapaz de chegar lá. E daí eu nunca me ter dedicado a aprender nenhum instrumento. Nunca pensei em ser músico. E uma coisa boa que veio do movimento punk foi o chavão: faça você mesmo.” (Zé Pedro)

Autodidacta, Zé Pedro tornou-se uma peça imprescindível no puzzle do rock português. Anos mais tarde, quando Zé Pedro foi internado, em pré-coma hepático, Tim viria a dizer:

"Sem o Zé, os Xutos acabam. Os Xutos sem o Zé Pedro não existem. Se for preciso paramos meio ano (...) um ano inteiro, o tempo que ele precisar... e quando recomeçarmos tenho a certeza de que teremos fãs à nossa espera." (pág. 165)

Em “Não sou o único”, Helena Reis mostra uma outra perspectiva da carreira dos Xutos e da queda de Zé Pedro. O olhar de quem viveu de perto o sucesso e o abismo em que foi mergulhando o guitarrista.

"Detesto a pessoa em que me tornei... Estou triste comigo, estou perdido e descontrolado, estou vazio." (pág. 155)

Em jeito de opinião, vale a pena ler as páginas que Leny dedica à “Zona Limite”: os dias que Zé Pedro passou no hospital entre a vida e a morte.

"Por trás da cortina, no meio da teia de tubos e líquidos de várias cores, vi os olhos verde-cinza do meu irmão, tão mortiços quanto distantes. O meu irmão lutava mas sem forças. (...) Não era natural que ele aguentasse as 24 horas seguintes." (págs. 161 e 162)

Mas há muito mais par ler… 223 páginas que relembram ainda o mítico Johnny Guitar… as paixões… uma vida sem excessos.

“Perguntaram-se uma vez, se ele era um bom ou mau exemplo. Ele às vezes é um bom exemplo e outras vezes é um mau exemplo. Ele é no entanto uma pessoa que nos leva para a frente” (Helena Reis)

"Não sou nada saudosista em relação à vida que vivi. Agora tenho uma vida nova para viver... e é isso que eu quero fazer: aproveitar os ensinamentos do passado e ter um bom futuro."

NÃO SOU O ÚNICO (Parte I)

"Leny: - o que é que gostas de fazer na vida?
Zé Pedro: - Tocar!
Leny: - E mais?
Zé Pedro: - Não sei mais nada, só sei que gosto de tocar" (pág.154)



A música fez dele um herói, a droga e o álcool quase o destruíram. José Pedro dos Santos Amaro Reis nunca se furtou a assumir publicamente um período malvado da vida. O livro que agora chega às bancas é mais do que uma biografia. É uma partilha de experiências e momentos familiares que mostram o guitarrista como uma criança feliz, um adolescente apaixonado pela música e um adulto capaz de vencer o vício.

"Eu passei por muita coisa. Tive alguns problemas de saúde, de toxicodependência, mas tudo isso contado pode dar um novo alento, principalmente a quem está em situações complicadas... como a que eu passei e sobrevivi." (Zé Pedro)


O tema “Não sou o único” empresta o nome ao livro escrito por Helena Reis, irmã de Zé Pedro: onze meses e um dia mais velha do que ele.
Leny, como é carinhosamente tratada pela família, relembra o que a mãe escreveu no “Livro de Bebé” do guitarrista, mas também as memórias que ela própria guarda do irmão. A viagem de barco para Timor, onde viveram cerca de três anos, as brincadeiras e mais tarde as cumplicidades.

“Um dia cheguei a casa e disse ao Zé. “Queres ir a Marrocos comigo e com o Luís?” “Claro, boa! Vamos.” “Então diz tu à mãe que ela contigo não discute.” (pág. 59)

Zé Pedro é o terceiro de 7 irmãos: 5 raparigas e dois rapazes. O pai, Pedro João dos Santos Reis, era militar e a mãe, Olga Amaro, optou por segui-lo nas várias missões no Ultramar.

"Nós vivemos muito perto uns dos outros, temos uma vivência de clã, que é o nosso alicerce de vida." (Zé Pedro)

A família é um elemento constante do princípio ao fim do Livro. Mas apesar do “à vontade” entre irmãos, Zé Pedro nunca quis dar uma entrevista directa à irmã. Muitos dos testemunhos e histórias contadas no livro surgiram no meio de conversas, jantares e momentos de descontracção entre a família e amigos.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Rock in Rio 2006!! My Friends!!!


Ponho o meu passado em dia... num blog que em breve também terá FreshNews...

Viagem a Chipre

Cortado o cordão umbilical!

Eis-me chegada à blogosfera... Obrigada Filipa Queiroz por este parto tão difícil!